Ai que dor!
Corri para o
pronto-socorro. Havia dias que eu não me sentia bem, doíam as pernas, o braço
direito adormecia.
Estranho, o
que será que estava pegando?
Só uma
pausinha: já que está em vigor a nova regra ortográfica da língua portuguesa,
pronto-socorro se escreve com ou sem hífen? Ah...me lembrei, é com hífen sim.
Voltando ao pronto-socorro paulistano, estava “lotadaço,” e olha que era particular, mas não difere em nada dos hospitais públicos.
Voltando ao pronto-socorro paulistano, estava “lotadaço,” e olha que era particular, mas não difere em nada dos hospitais públicos.
A espera é
longa, vi pessoas chorando e se abraçando, então pensei: “Alguém bateu com as dez”, morreu, faleceu.
E olha que a
gente pensa que isso só acontece com os outros, mas infelizmente um dia com
certeza isso vai acontecer com a gente também, ah... vai e como vai, porque ninguém
escapa, a vida é irônica e gosta de
brincar com nossos sentimentos.
De vez em
quando a vida nos traz boas surpresas: ficamos sabendo que uma amiga se casou, uma irmã mais velha “desencalhou”,
alguém conseguiu um bom emprego, um irmão de uma amiga passou na USP.
Entretanto, não se
deixe enganar, a vida também gosta de nos surpreender e num belo dia, quando estamos
distraídos e de pernas pro ar, o telefone toca e alguém do outro lado da linha
nos diz: - Sabe quem morreu?
Mesmo se
taparmos os ouvidos, temos que encarar essa! Eitcha vida traiçoeira, só sabe
disso quem um dia já passou por uma coisa dessas.
Enfim...
O peruano me chamou,
ah, o médico era de origem peruana, muito solícito por sinal, ele já foi logo
perguntando o que estava acontecendo, queixei-me de dores nas pernas e braços e
ele perguntou:
- Você tem
problemas cardíacos? Respondi que não, nunca tive isso não!
Mas ele ficou
como um louco auscultando meu coração, apertava o aparelho daqui, apertava dali, e disse:
- Seu coração
está acelerado e com palpitações, vamos fazer um eletro?
- Eletro? Nossa...
não quero fazer isso, não! Mas ele afirmou ser necessário. Fui levada à enfermaria e uma enfermeira de pele escura, homossexual, e super-simpática me pediu:
-Tira a blusa,
sutiã, abra o zíper da calça e deita ai na maca. Fiz o que ela disse, eu estava
toda sem graça, mas logo ela entrou na sala, o ar condicionado estava gelado,
polo norte total, ela começou a colocar os eletrodos e em seguida ligou o
aparelho, que foi traçando os 12 eletrodos que estavam em pontos específicos do
meu corpo e como uma impressora foi registrando as 12 derivações do
eletrocardiograma.
A máquina
terminou o trabalho, vi que a enfermeira estava com uma cara esquisita e me disse:
-Vou mostrar o exame para o
médico e já venho, fique bem quietinha ai, talvez eu tenha que repetir o exame,
okay?
Balancei a cabeça dizendo que
sim, em seguida ela chegou apressada e comentou que teríamos que repetir o eletro, terminado o segundo exame, mais uma vez ela disse que ia mostrar o resultado para o médico, de repente ela voltou toda afoita:- Vamos ter que repetir o exame de novo.
Em seguida apareceu o médico e perguntou se eu tinha problemas no coração, respondi que não, ele solicitou que eu tirasse os sapatos, brincos e relógio, e pediu para a enfermeira repetir o eletro. Exame feito pela terceira vez, eu já estava apavorada,a enfermeira me levou à sala dele e ele disse: -Sente-se ai, vamos conversar.
Fiquei imaginando um monte de coisas e pensei: o que será que está acontecendo? Ele disse:
Em seguida apareceu o médico e perguntou se eu tinha problemas no coração, respondi que não, ele solicitou que eu tirasse os sapatos, brincos e relógio, e pediu para a enfermeira repetir o eletro. Exame feito pela terceira vez, eu já estava apavorada,a enfermeira me levou à sala dele e ele disse: -Sente-se ai, vamos conversar.
Fiquei imaginando um monte de coisas e pensei: o que será que está acontecendo? Ele disse:
-Seu exame está com algumas alterações,
o átrio direito está alterado, você vai precisar procurar um
cardiologista urgente.
A casa caiu! E eu que estava há
pouco tempo na sala de espera vendo gente chorando porque um parente de alguém
tinha morrido, que ironia, e olha que sou vegetariana, não bebo e não fumo, não
sou religiosa, só não faço tudo isso porque não curto mesmo.
Ainda tomei
duas injeções no bumbum e ainda me tiraram um frasco de sangue,dispensada,sai do hospital arrasada, sai pela rua chorando, sem rumo e pensando: Não falei, que a vez de todo mundo chega? Minha vez também chegou? O médico perguntou se eu estava tendo desmaios, tonturas, vômitos, e disse que, devido a esse tipo de problema, a pessoa também pode ter morte súbita. Que
droga de vida. Esta vida, digo e repito, é uma ironia e gosta de brincar com
nossos sentimentos, mas vamos lá, vamos encarar essa, a vida ainda segue.
