A casa mal assombrada,
Que pavor!
Mas quero entrar ali.
E matar minha curiosidade de criança.
Do lado de fora, vi na janela aberta, vultos
passeando lá dentro.
Será que entro?
Crio coragem, aproximo-me, abro a porta
que rangeu bem forte.
Dou um passo e a porta se fecha atrás de
mim.
Foi o vento, penso eu.
Vejo uma escada de madeira, começo a subi-la.
De repente algo lá em cima se mexe.
Meu cabelo se arrepia.
Quero gritar, a voz sai meio fraca:
Socorro!
Agora é tarde, tenho que prosseguir.
Atinjo o último degrau, ouço um chiado, me
arrepio e me arrependo, quero voltar, mas é tarde.
Olho ao redor e vejo uma cama velha, uma
cortina encardida.
O
vento soprava na janela.
Algo se mexia debaixo da cama.
Tenho que ter coragem, vou olhar!
Ajoelho-me ao lado da cama e tento espiar
o que havia lá.
E dou de cara com uma caixa de sapatos e
dentro dela avisto uma ninhada de gatos mamando numa linda gata de olhos
grandes e verdes.
Apenas sorri e percebi que nem sempre o
medo é tão ruim como pensamos.
Peguei aquela caixa de sapatos, segurei-a
com cuidado em meus braços.
A mamãe gata ficou meio enciumada, mas
parece que viu em mim uma pessoa do bem.
Cheguei em casa, minha mãe ralhou um pouco,
mas fiquei com os gatos até desmamarem.
E assim que já estavam maiorzinhos
levei-os a uma casa de rações, dei um dinheiro para o moço que os colocou ali
para adoção.
Voltei depois de uns dias e todos já haviam
sido adotados.
Ah...se eu não tivesse tido coragem,
talvez aqueles pobrezinhos não tivessem tido uma boa sorte.
O medo faz coisas que nem imaginamos.
No final aprendi que enfrentar o medo é o
primeiro passo para obtermos muitas conquistas, ainda bem que tive coragem!
Espero ter coragem para muitas outras coisas mais difíceis nesta vida!
